SETEMBRO AMARELO

Para estimular o conhecimento sobre o suicídio, lancei uma campanha no mês de setembro para que me enviassem histórias de superação a fim de auxiliar quem está passando por momento difíceis. Hoje, elas serão postadas aqui! Os relatos são anônimos e as histórias foram editadas para melhor compreensão.

Relato de A.:
“Hoje o choro é de felicidade, alegria e abundância. A tristeza e angústia que me perseguiam já não fazem mais parte da minha vida! Uma nova vida se inicia, meu Renascimento! Não é necessário esperar o primeiro dia do ano para mudarmos e recomeçar. Temos o poder de mudar a qualquer momento, basta querer!!
A cruz que eu carreguei por 16 anos estava muito pesada e doeu muito carregá-la, mas era necessário para que nesse momento eu compreenda tudo o que se passou e aceite todas os acontecimentos em minha vida como forma de aprendizado para subir aos degraus da evolução como pessoa. Hoje esta cruz está vazia, leve e estou preparado para os próximos desafios! Ela pode pesar novamente que irei insistir e nunca mais desistir!
Através da falta, hoje valorizo tudo e percebo abundância onde vivemos. Desde um simples prato de comida a um colchão no piso…
Meus olhos se enchem de felicidade a cada experiência vivida, o gosto pela vida está diferente, mais forte!!
A dor faz parte da evolução e outra coisa que aprendi é que realmente depois da tempestade vem a Bonanza.
Você pode ser o que quiser, onde e quando quiser, basta querer e lutar por isso. Não se prenda à rótulos da sociedade e pressões que a mesma exerce!! Seja você!!! Ame, corra, brinque, chore, desfrute!!! Como um grande amigo, Aníbal, me disse: “A vida é para se ocupar e desfrutar, não preocupar!!!”.
O ontem não tem volta e o amanhã construímos hoje!!! E o melhor e único momento que temos e podemos desfrutar e fazer escolhas é o AGORA!!!! VIVA AGORA!!! Liberte-se!!! Mostre sua cara!! Não tenha medo!!!!”


Relato de B.:

“Já ouvi falar bastante da doença psíquica chamada depressão, pensava que era algo que jamais iria me atingir. Pensava que era coisa da cabeça das pessoas (frescura). Mas tudo mudou quando há exatamente dois anos, comecei a desenvolver quadros de ansiedade acompanhado de crises de pânico e arritmia cardíaca. De início, quando esses sintomas começaram a aparecer eu não sabia o que era exatamente. Resolvi me consultar quando senti que os sintomas estavam avançando, pois além dos agravantes citados acima comecei a sofrer queda de pressão constante, um forte aperto no peito e aflição que me acompanhavam o dia todo, junto com terríveis pesadelos de sono todas as noites. Sentia que não dava mais pra mim controlar aquilo: ou eu procurava alguma ajuda médica ou eu iria enlouquecer. Fui até o médico, que no caso, não era especialista sobre (depressão). Mas enfim, marquei a consulta e durante a consulta procurei descrever de forma muito sucinta todos os sintomas. Ele me receitou um comprimido para gastrite, pois eu não estava mais me alimentando, um outro a base de vitamina A, B e C, e um relaxante muscular. Procurei fazer o tratamento com base no que ele tinha me orientado, então passou-se uns dez dias, e ao invés de alguma coisa melhorar, ao contrário, só pioravam, voltei a consultar com o médico, mandou- me fazer um exame de eletro cardiograma, novamente me receitou outros remédios, e nada surtiu efeito. E mesmo eu falando com extrema exatidão ele não me falava que aqueles sintomas eram de depressão. Certo dia meu tio curioso perguntou a minha mãe o que estava acontecendo comigo.. e nessa conversa ela (mãe)explicou em detalhes pra ele(tio) o que eu sentia, e ele como já teve depressão, disse a minha mãe “sem sombra de dúvidas ele está com depressão” . Foi aí que comecei a pesquisa na internet e com base nas informações cheguei a conclusão de que eu realmente estava com depressão. Sabendo agora de que eu estava com depressão, procurei consulta com um médico naturalista, e um pouco especialista da área, comecei fazer um tratamento bem alternativo, segui rigidamente as prescrições, acompanhado de ajuda religiosa, comecei a participar da igreja, pedia ajuda em orações, desabafava meu problema, e senti que aos poucos a doença foi regredindo muito. Sei que hoje não estou totalmente curado e livre desse transtorno, mas me sinto melhor, as vezes entro em alguma crises, mas geralmente elas passam rápido. E ai fazendo uma análise, percebi, o quanto procurar as pessoas certas e fazer o tratamento certo me Ajudou. Infelizmente eu moro em uma cidade muito pequena, não existe campanhas nem informações sobre a doença, tive que eu mesmo que buscar informações pois o município não desempenha nenhum tipo de serviço a respeito. A lição que eu tirei foi: Que o debate e instrução correta sobre A doença da Depressão
PRECISA SER CADA VEZ MAIS DIFUNDIDA nos meios sociais. São informações e instruções que podem salvar vidas!!”


Relato de C.:

“Quando tinha 10 anos desenvolvi uma síndrome do pânico e com ela veio ansiedade e depressão com o passar do tempo. Como toda criança tem uma grande fertilidade mental isso só piorava porque o medo de viver e o desânimo com a vida entrava em conflito com os bons pensamentos, graças a depressão. Minha mãe sempre me perguntava o que eu tinha e até chorava por que eu não sabia exatamente o que era, afinal eu só tinha 10 anos. Por um milagre e por tanta oração cresci vencendo a depressão, com algumas sequelas da ansiedade e pânico mas nada que não dê para controlar. Hoje vejo que alegria pode ser contagiosa e eu sou a prova disso, porque hoje eu mesmo dou risada das minhas piadas, e muitos a minha volta me acham muito engraçado. Quando falo que tive depressão eles não acreditam. Hoje acho tudo isso maravilhoso porque posso ajudar a quem passa pelos mesmos problemas que passei. Levo uma frase sempre comigo: ”Deixe a alegria fazer parte!”


Relato de D.:

“Eu pensei em suicídio no dia 04 de abril de 2018, após o meu relacionamento de 28 anos chegar ao fim. Ainda estamos sob o mesmo teto, pois moramos em um apartamento caro e precisamos aguardar a venda para nos mudarmos. Durmo em outro quarto há 5 meses e neste tempo perdi 14 kg. Apesar de termos uma vida boa, ela é muito gananciosa. Li muito durante este período e acho que ela tem certo grau de psicopatia (se enquadra em 5 ou 6 itens dos 7 que li). Ela não tem família e sempre tende a tomar atitudes sem pensar em ninguém. Não demonstra sentimentos como a maioria das pessoas.
Hoje estou melhor, mas durante esses quase 6 meses foi tudo muito difícil. Já recuperei 2kg. Sei que é um processo muito longo e demorado, mas hoje tenho acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Estou aprendendo a me amar. Espero daqui um tempo estar rindo de tudo isso”.


Relato de E.:

“Eu sou homossexual e isso é muito difícil pra mim, mesmo hoje tendo um relacionamento maravilhoso, com uma pessoa incrível. A alguns anos atrás sai de um relacionamento abusivo onde ouvia do meu ex que eu era horrível. me livrei desse relacionamento e comecei um novo alguns meses após. Nesse novo relacionamento amei pela primeira vez. Em dado momento, ele optou pela cura gay. Eu estava sozinho, não conseguia me abrir para ninguém, parecia que só havia uma solução.
Depois de ouvir que a pessoa que eu amava tinha vergonha do que tínhamos vivido e que eu era como um vírus que o infectava, tomei a decisão de acabar com todo aquele sofrimento e me programei: fiz cartas para algumas pessoas tive a ideia de me jogar na frente de um caminhão. Foi então que o meu primeiro milagre aconteceu: um amigo me salvou por estar no local certo, na hora certa. Ele me impediu.
Porém, aquele vazio não saiu e dois dias depois comprei veneno e em meio a rejeição, tomei e fui dormir esperando não acordar. Acontece que eu não tive nenhum efeito. O dia foi passando e eu fui percebendo o quanto as pessoas se importavam comigo e o quanto de amor eu tinha na minha vida e que sim, era possível me erguer, como diz na música “Only hate the road when you’re missin’ homw “(Let Her Go-Passenger), eu estava a caminho da morte, mas não queria mais ir. Me abri para minha melhor amiga, meu segundo anjo e sem explicação eu estou aqui e muito feliz.
Se você pensa de alguma forma que ninguém se importa, lembre-se que é um momento de fragilidade. É preciso ajuda. Lembre-se que nada é pra sempre: viva o seu sofrimento, chore, grite, mas não se entregue! por que sempre vai ser possível recomeçar e ser feliz de novo e eu sou a prova viva de que é possível”


Relato de F.:

“Meu tio bebia muito e me abusou sexualmente (foi uma vez. Na outra vez ele me pediu um beijo em troca de dinheiro e eu só sentia nojo porque minha tia disse que isso era errado).Tenho 18 anos e na maioria do tempo me culpo por isso ter acontecido. Na época eu tinha uns 8 ou 9 anos. Meu pai abandonou meus irmãos, minha mãe e eu.
Minha mãe fala coisas que me machucam muito. Ela me humilha. Além disso eu sou muito ansiosa e penso muito no meu passado. Eu me cortava muito, só queria que tudo que estava doendo na minha alma acabasse. Teve uma vez que peguei vários remédios pra tomar, fiz cartas para explicar o porque iria fazer aquilo, mas aí eu orei a Jeová para que acalmasse meu coração minha mente e minha alma, e Ele fez isso.
Hoje ainda me sinto insuficiente, inútil, feia e solitária. Mas hoje tenho felicidade. Isso não significa que a depressão foi embora.
As vezes as esperanças somem do nada, mas logo são resgatadas. Eu amo muito meus amigos e minha tia. Eu perdoei meu tio.
As vezes o passado me assombra, e penso muito no amanhã mas eu sei que Jeová se preocupa muito comigo e que tudo isso será passado. Eu não tenho nenhuma ajuda psicológica, mas estou correndo atrás pra ter. Eu sei da importância que é fazer uma terapia.
E para as pessoas que passam por depressão e outras doenças mentais, eu digo que procurem ajuda porque é importante alguém nos ouvir e ajudar.”


Relato de G.:

“Já tive tantos momentos de tristeza na vida que em dois deles tomei atitude visando a morte. Primeiramente eu tinha tomado muitos comprimidos. Em outro momento de desespero eu procurei por pessoa que sabia que era soro positivo, não me protegi querendo me infectar e consegui. Não cheguei a ficar com a imunidade baixa a ponto de ser hospitalizado com AIDS, pois me arrependi depois e passei a tomar coquetel e tentar seguir em frente. Minha saúde física continua ótima, mas as vezes a mental tenta sair dos trilhos pois eu vejo EU em muitos por aí. Todos os dias eu lembro de tudo que passei em duas pílulas. E busco não deixar que estes fantasmas me assombrem, mas eu convivo com ele sempre. É minha fraqueza, mas também minha força.
Eu sempre viverei meu ato de suicídio.
Desde pequeno sempre tive trejeitos afeminados. Era insultado na escola, chegava em casa chorando “mãe, não quero mais ir para a escola”. Eu não tinha escolha, sabia que se eu não me escondesse seria sempre alvo de piadas e viveria assim para sempre. Eu precisava ficar no armário. Meu pai sempre foi distante de mim, e acredito que devido ao fato dele conhecer no fundo minha essência desde pequeno. Pois era diferente com meu irmão, o qual é hetero e ele sempre foi mais próximo e orgulhoso. Com um pai extremamente machista e crente que minha mãe deveria ser apenas uma mulher do lar, ele a agredia, chegava tarde, bêbado, e com batom de outras mulheres na roupa. Sempre foi distante, “abandonando” família como tantos homens fazem. Cresci vendo minha mãe chorar pelos cantos. Cresci me sentindo inferior referente ao meu irmão. Cresci assistindo meus colegas de escola insultar meninos que eram como eu. Cresci me escondendo de mim mesmo.
Eu não escolhi a faculdade que eu queria pois ‘não era profissão’. Eu não podia sair com meus amigos pois eram gays. Meus pais rackearam minhas redes sociais e a excluiram para eu não ter meus amigos. E fui sempre muito infeliz tentando provar aos outros o que eu não precisava provar para ninguém. Sempre tive muitas qualidades, boas notas, premiações por ser inteligente e se destacar, talentos que chamavam atenção de muitos e que eu gostava de cultivar… mas o fato de ser gay já me inferiorizava demais, eu não posso ter a “cara no sol” sem levar uma lampadada. Nunca pude ser o que sou.
Aos poucos fui lutando pela minha liberdade. Quero ainda me sentir uma pessoa normal, e quero que eles imaginem que estou bem. Eles não tem culpa de pensar como pensam, eles não tem culpa dessa cultura cruel. E eu também não.
Ao longo da minha vida conheci muitos como eu e que continuam lutando, e conheci muitos que desistiram no meio do caminho. Não posso ver uma gravata que lembro de um namoradinho meu que se enforcou. Tudo me lembra a dor. Eu vou levantar todos os dias e tentar mais uma vez, e mais uma vez. Vou tentar mudar o mundo a minha volta com o restante de brilho que ainda possuo nos olhos e que é capaz de encantar e tocar corações. Como diz a música de Aretha Franklin, é um “amor mais profundo”. E esse amor contagia. Aprendi a orgulhar do que sou. O mundo que vivo não me pertence, mas vou lutar por mim e por meus iguais mesmo assim, com unhas e dentes.”


Relato de F.:

“Eu era servidor público concursado e estava aprovado em outro concurso público e junto com mais 3 candidatos havíamos ingressado na justiça para garantir o nosso direito, já que o prazo do concurso havia expirado e não nos convocaram! Estava casado havia 30 anos e tinha 2 filhos.
Em 2014 meu filho mais velho faleceu em um acidente de trânsito.
Além da perda do filho e com a burocracia do inventário, minha esposa estava se tratando com um psiquiatra, por causa de ‘intrigas’ feitas por familiares dela.
Em 2014 meus amigos conseguiram a vaga do concurso e eu, por erro da empresa, fui excluído pelo desembargador responsável. Entrei com recurso e aguardava uma decisão.
No dia 12 de outubro de 2015 minha mulher foi encaminhada ao pronto-socorro pois ela havia caído dentro de casa.
Fez a transfusão de sangue e um raio-x que constatou fratura na bacia. Estava com câncer em estágio avançado e metastático.
O médico não nos deu nenhuma esperança.
No dia 25 de dezembro de 2015 ela faleceu. Mais um ‘baque’ na minha vida!
Em 2016, Por uma reviravolta no processo fui demitido.
Estou aguardando julgamento dos recurso mas estou desempregado até hoje.
Com 58 anos não é fácil uma colocação no mercado de trabalho.
Graças a Deus tenho minha casa, alguma economia e não tenho dívidas.
Cuido da casa, de minhas roupas e faço minha própria comida, sem depender de ninguém.
Agora estou participando de vários treinamentos gratuitos voltados para a atividade rural. na expectativa de encontrar uma colocação até uma decisão final de meus processos.
Mesmo com todos estes acontecimentos jamais perdi a esperança e a vontade de viver.
Tenho a minha fé, meu filho e minha neta que são os motivos que me fazem seguir adiante.
Tento ser forte para servir de exemplo para meu filho pois temos casos de suicídio tanto na minha família quanto na família de minha esposa.
Acompanho alguns grupos no Facebook e sempre relato o que aconteceu comigo para tentar dar algum alento e incentivo para aquelas pessoas que passam por situação semelhante.
Espero, com meu relato, contribuir com profissionais como você que lidam diretamente com seres humanos que passam por vários problemas pessoais.
Tenho plena consciência, pela Doutrina que sigo, de que tudo na vida tem um por quê!
Tenho também a consciência de que não exitarei em solicitar ajuda, caso sinta necessidade”.

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